• Home
  • Empresa
  • Unidades de Negócio
  • Clientes
  • Notícias
  • Downloads
  • Contato
 

Notícias

NASA: Inovação e Tecnologia Sim, Mas Muito Mais Atitude e Perseverança

184 leituras

Por Everton J. De Ros
Diretor Executivo da EJRos Brasil

Recentemente tive a oportunidade de fazer uma visita técnica à sede da NASA – Agência Espacial Americana, na cidade de Cabo Canaveral (precisamente Merritt Island), estado da Flórida, nos Estados Unidos. A visita proporcionou conhecer o complexo base de lançamentos de foguetes, o Kennedy Space Center, o prédio administrativo, o prédio onde são construídos os foguetes, chamado de VAB - Vehicle Assembly Building, além de conversar com engenheiros e astronautas.

Confesso que em função dos eventos recentes relacionados à exploração espacial, lançamento de foguetes, carro em órbita e tudo mais, que vislumbrei nesta visita a oportunidade de conhecer métodos de gestão e controle, administração de recursos, (especialmente equipes e orçamento), formas e ferramentas de planejamento, gerenciamento de riscos, gestão de projetos, tecnologias e inovações e tantos outros recursos empregados para tão grandiosos feitos.

Todavia e antes de falarmos sobre minha visita e o que ela tem a ver com tecnologia ou atitude, cabem algumas informações preliminares:

A NASA (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration – Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) é uma agência do Governo Federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial. Sua missão oficial é fomentar o futuro na pesquisa, descoberta e exploração espacial. A NASA foi criada em 29 de julho de 1958.

A NASA foi responsável pelo envio do homem à Lua (Projeto Apollo) e por diversos outros programas de pesquisa no espaço. Atualmente trabalha em conjunto com a Agência Espacial Europeia, com a Agência Espacial Federal Russa e com alguns países da Ásia para a gestão e manutenção da Estação Espacial Internacional (ISS – International Space Station), em órbita desde 2011.

Quando estive na visita, três projetos de grande magnitude foram apresentados como prioritários para NASA:

A – A captura de um asteroide: A missão é localizar um asteroide, próximo à órbita da Terra, e que seja relativamente pequeno, algo com sete metros de diâmetro e peso entre quinhentas e mil toneladas, no máximo. Uma espaçonave será dotada de uma espécie de rede para capturar o asteroide e rebocá-lo até a órbita da lua. Lá, astronautas poderão estudá-lo de perto e até separar pedaços que serão enviados para a Terra. Fala-se que este projeto tem orçamento superior a 1,5 bilhões de dólares, algo em torno de 5 bilhões de reais. Os técnicos da NASA explicaram-me que essa pesquisa é importante por vários motivos, mas principalmente para entender melhor as origens do universo, descobrir novos materiais e sabe-se lá mais o que um asteroide oriundo de outras galáxias pode nos trazer de informações. Sem
dúvida, um plano ousado, que deve ocorrer, pela
previsão, até 2020.

B – Viagens espaciais de turismo: O turismo espacial é um fenômeno recente que consiste em viagens espaciais realizadas por indivíduos com propósitos não científicos, para pura diversão, vislumbre e lazer. A NASA compartilha projetos especialmente com empresas como a Virgin Galactic (do conglomerado Virgin) e a Blue Origin (pertencente a Amazon) para oferecer, a custo “acessíveis”, de apenas US$ 250 mil dólares, isto é, quase 800 mil reais, passagens para voos suborbitais, de poucas horas, mas que você já consegue observar a curvatura e o desenho da terra, além de experimentar a “gravidade zero”. Mas se preferires e tiveres condições, há também, por alguns milhões de dólares, o projeto da Space X (que pertence a Tesla), para dar uma voltinha até lua. Por incrível que pareça, um técnico da NASA me comentou, informalmente, que mais de 800 passagens já haviam sido comercializadas, sendo que 10 para brasileiros.

C – Estabelecer uma base em Marte: O terceiro e ambicioso projeto é o envio de missões tripuladas ao planeta Marte. A NASA vem enviando missões não tripuladas para investigação do solo e da atmosfera de Marte há algum tempo. Já missões tripuladas estão na dependência de desenvolvimento de novas tecnologias e de fundos específicos para financiamento da missão, algo que não consta no orçamento americano, ao menos em curto prazo. Assim a parceria com empresas privadas vem se tornando o caminho para que uma missão tripulada possa pousar em Marte, em breve. Equipe de futuros astronautas já vem treinando em regiões inóspitas para suportar tanto as condições da viagem, de mais de 6 meses, como da própria condição imposta pelo planeta.

Mas voltando ao tema fundamental desta matéria, “Inovação e Tecnologia Sim, Mas Muito Mais Atitude e Perseverança” percebi nas conversas com funcionários e colaboradores, nas palestras e em diversas situações que pude trocar ideias, que apesar de toda tecnologia e inovação, três fortes pilares filosóficos e organizacionais cercavam todas as ações e certamente foram o motivo de grande parte do sucesso da NASA:

1 - Trabalho em equipe: Sempre que conversava com pessoas, percebia o quão forte era o senso de equipe, de dividir tarefas, de trabalhar com o mesmo propósito mas contando com faculdades e conhecimentos multidisciplinares, de compartilhar experiências, de respeitar opiniões, de aprender, de errar e acertar. Durante as conversas, não lembro de ter escutado sequer uma única vez a palavra “eu”. Geralmente escutava o “nós”, e com orgulho. Acreditar em algo grandioso e fazer parte disto fazia parte do “estado da equipe”. Assumir responsabilidades, delegar, liderar, respeitar o papel de cada um, entender a hierarquia organizacional, discutir, sobrepor ideias, conhecer suas funções, confiar. Palavras comuns nas conversas. Atitude orientada a resultados. Trabalho em equipe. Compromisso. Foco. Resultados.

2 – Propósito: Para que o trabalho em equipe e cada projeto desse certo, duas questões deveriam estar sempre bem definidas: o que fazer e para quando, isto é, o estabelecimento de metas e prazos. Propósito. Para isto, uma regra básica foi-me apresentada por um engenheiro que trabalhou por mais de 40 anos no laboratório de propulsão de foguetes: não dizer “não”. Sempre “talvez” ou “vamos tentar”. Era comum nos corredores da NASA verificar funcionários com bonés que diziam: Superando o impossível. Prazos e metas não são negociados...”o foguete vai subir em tal data e isto deve estar funcional, pronto e disponível até 30 dias antes do lançamento”. Executem.


3 – Métodos: O terceiro ponto e o que me chamou mais atenção, foi que, apesar de toda tecnologia, toda inovação, equipamentos de última geração, recursos computacionais avançadíssimos, muito ainda se fazia em termos de padronização, documentação, registros, planos de ação, análises críticas e atas de reuniões. Questionei porque, com tanta tecnologia, ainda eram utilizados documentos muitas vezes impressos, desenhos e diversos check lists. A resposta foi clara: “segurança, observação do método e redução de riscos”. A mente humana seguindo os passos do computador e analisando criticamente resultados, minuto a minuto, etapa a etapa.

Este fato me fez recordar como é difícil em nossas empresas criar uma IT (Instrução de Trabalho), uma rotina padronizada ou um POP (Procedimento Operacional Padrão) e que o mesmo seja seguido pelas nossas equipes como instrumento efetivo de trabalho. Como é difícil muitas vezes implementar um plano de ação ou que um registro seja preenchido corretamente. Na NASA, com sua tecnologia e inovação, há POP´s, IT´s, Planos de Trabalho, Rotinas e Planos de Ação por todo lado, identificando métodos e processos, padronizando e permitindo a análise crítica, identificando falhas e permitindo a melhoria. Há rotinas que definem os métodos a serem seguidos para o sucesso de cada operação.

No último dia de visita, pude visitar o Centro histórico dedicado as Missões Apollo, que conquistaram a lua, impulsionadas pelo lendário foguete Saturn V.

O projeto Apollo teve onze voos tripulados e sete não tripulados. O objetivo de explorar a lua foi iniciado em 1961 e abandonado em dezembro de 1972, com o voo da Apollo 17.

Impressionante ver como uma tecnologia praticamente eletromecânica (meu celular tem mais capacidade de processamento e memória que a capsula de reentrada dos astronautas) levou o homem à lua, feito da Apolo XI, em 16 de julho de 1969.

Ao final da visita, extasiado, comentei com um funcionário sobre “o grande feito”, de como a NASA, com a tecnologia daquela época, havia levado e trazido uma tripulação à lua.
A resposta foi direta: “poucos lembram das missões antes da Apolo XI....várias delas, grandes fracassos, como a missão Apolo I, batizada assim em homenagem aos astronautas “Gus”, “White” e “Chaffee” que morreram ainda em solo em virtude de um incêndio dentro da cabine de comando.

Cada missão foi um aprendizado, onde erros poderiam custar vidas. Aprendemos com nosso erros, dentro de um processo de melhoria contínua. Fracassar também faz parte do caminho do sucesso”.

Esperei nesta viagem ver muita tecnologia e inovação....sim, de fato vi.
Mas mais do que isso, entendi ainda mais que trabalho em equipe, propósito e seguir um método de trabalho baseado na melhoria contínua, apoiados por comportamentos envoltos em determinação, atitude, humildade e perseverança são mais importantes para o alcance de resultados. Tecnologia se compra, se busca, se desenvolve, se financia. Atitude não.
Que cada um de nós tenhamos um pouco mais do “espírito NASA” e alcancemos grandes realizações, contribuindo para o desenvolvimento e o sucesso de nossas empresas e para construção de um país baseado nos valores corretos.

Brifieng do Autor:

Everton José De Ros é Engenheiro Eletricista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pós-graduado em nível de especialização em robótica industrial pelo Instituto Mihajlo Pupin (Belgrado - Yugoslávia) e pós graduado em sistemas de automação pelo Instituto Omron (Kusatsu - Japão). Possui MBA em Gestão Empresarial pela FGV - Fundação Getúlio Vargas e Pós-MBA Internacional em Gestão de Negócios pela Universidade de OHIO (Athens - EUA). Complementarmente possui dezenas de cursos e treinamentos, destacando-se o curso de laudos e perícias judiciais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizado em parceria com o CREA-RS e a qualificação em Consultoria Empresarial pelo CEEM - Centro de Ensino Empresarial. É professor da FGV nas disciplinas de "Planejando Estrategicamente uma Empresa" e "Negociações Avançadas" no curso de pós-graduação em administração. Foi secretário e participa de diversos comitês da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas para elaboração de normas para o setor de equipamentos, aparelhos, componentes e materiais elétricos e eletrônicos. É auditor líder ISO 9001 pela MCG/Batalas (Inglaterra), com atualização pela SGS/IRCA para versão 2015 da norma, realizando mais de 300 auditorias para organismos de certificação de produtos e sistemas. Realizou vários cursos de extensão, desde técnicas de liderança, gerenciamento de risco, marketing de guerra, qualidade total, auditor ISO 17025 para laboratórios, auditor ISO 14001, planejamento estratégico, análise de valor, engenharia focalizada, gestão de projetos e outros. Atuando no mercado brasileiro, adquiriu experiência e conhecimentos em diversas atividades, especialmente no ramo de projetos e fabricação de produtos eletroeletrônicos e componentes elétricos de instalação, exercendo principalmente o cargo de gerente de engenharia. Atualmente têm desenvolvido atividades para várias renomadas empresas, como assessor e consultor, elaborando e adequando projetos de produtos eletroeletrônicos para atendimento de normas e regras relacionadas à certificação de produtos, além de exercer o cargo de Diretor Executivo da EJRos Brasil, empresa que já assessorou mais de 350 empresas em suas certificações e que possui seis unidades de negócios, sendo uma delas um laboratório de ensaios acreditado pelo CGCRE/INMETRO. É palestrante convidado nos “Fórum Potência”, evento que ocorre mensalmente em uma cidade brasileira e que discute inovações, tecnologias e melhorias em equipamentos e acessórios eletroeletrônicos. Como destaque, é autor do Conceito “FIDES” aplicado ao projeto de equipamentos, acessórios e componentes eletroeletrônicos e foi vencedor do prêmio ABILUX de melhor invenção do ano no Brasil em 1995.

Voltar para notícias